Prevenção
ainda é o melhor método
Nos grandes centros urbanos
como São Paulo, é crescente a preocupação
com a proliferação de pragas urbanas,
dentre elas o cupim,
inseto que vem merecendo maior atenção por parte
de diferentes segmentos da Engenharia. Na capital paulista,
os bairros da Aclimação, Higienópolis,
Jardim América, Jardim Europa, Jardim Paulista, Jardim
Paulistano, Lapa, Moema, Pacaembu, Paraíso, Perdizes,
Pinheiros e Vila Mariana têm a situação
mais crítica, de acordo com levantamento feito pela
Associação Paulista dos Controladores
de Pragas Urbanas (Aprag). No passado, essas regiões
eram arborizadas e, com o desmatamento, os cupins saíram
em busca de alimento.
Conhecidos pelos danos
materiais que podem causar, os cupins mais
comuns são o subterrâneo (ou
de concreto) e o de madeira. De acordo com
o biólogo Francisco José Zorzenon, do Instituto
Biológico de São Paulo, os primeiros abrem caminho
na alvenaria até chegar ao material celulósico
da estrutura. Podem ocorrer em tijolos de barro, blocos de
concreto e entre vãos de andares de construções. “Isso
inclui até os prédios mais altos, onde os reis
e rainhas formarão seus ninhos depois da revoada. Já o cupim
de madeira forma seu ninho no local em que se alimenta”.
Os cupins subterrâneos, segundo Zornenon,
podem catalisar ou acelerar o processo degenerativo de uma
estrutura, ampliando, sobremaneira, as fissuras e realizando
outras, podendo aumentar infiltrações existentes
ou despercebidas.
Além do agravamento
das fissuras e do consumo de madeira e derivados, levando a
elevados prejuízos, os cupins subterrâneos podem,
em determinadas condições, utilizar os eletrodutos
ou conduítes para facilitar o trânsito por entre
apartamentos ou casas. Isso pode levar a curto-circuitos decorrentes
da construção de túneis de acesso. “Os
túneis dos cupins são
feitos de terra, fezes ou outros materiais disponíveis
(gesso, cimento, etc.).
Estes caminhos, sempre
escuros e úmidos, são verdadeiras estradas por
onde circulam os insetos, ligando a fonte de alimento ao ninho
principal ou secundário”, explica o pesquisador
do Instituto Biológico.
Para a construção
civil, o velho ditado do “é melhor prevenir do
que remediar” vale como nunca no caso dos chamados cupins
subterrâneos. O controle desse tipo de praga
não é coisa para leigos. Trata-se de uma infestação
disseminada que não pode prescindir dos trabalhos de
profissionais como agrônomos e biólogos.
“A tecnologia empregada
no desenvolvimento de metodologias eficazes e a alta capacitação
técnica dos profissionais, num trabalho de equipes multidisciplinares,
permitem soluções satisfatórias, sem que
os resultados positivos estejam estreitamente associados ao
uso de pesticidas”, afirma o engenheiro agrônomo
Mauricio Tucci Marconi.
Na prevenção,
inicialmente, é necessário realizar uma inspeção
criteriosa da área onde a obra será edificada,
definindo metas e estratégias de trabalho. O trabalho
preventivo já começa na limpeza do terreno, visando
a retirada de restos de raízes e troncos. Na fase final
da construção, os engenheiros responsáveis
devem se certificar que todas as peças de madeira, como
fôrmas para concreto e estacas, por exemplo, foram retiradas
junto com o entulho.
Jamais os restos da construção
devem ser enterrados no local ou nos chamados “caixões
perdidos”, que são espaços entre um andar
e outro sem função específica, utilizados
para diminuir custos com o descarte de entulhos. Restos contendo
materiais celulósicos são pratos cheios para
os vorazes cupins.
A fase seguinte da prevenção é o
adequado tratamento do solo, buscando-se a criação
de barreiras químicas ao redor dos pontos de fundações. “Hoje,
o querosene, muito utilizado no passado, foi substituído
por outros produtos, como a calda cupinicida, um agente químico
biodegradável. Mas isso não elimina a atenção
redobrada que a equipe de profissionais deve ter em relação
ao lençol freático”, afirma o técnico
agrícola Francisco Portela.
A infestação
poderá ser evitada ou controlada pelo método
químico tradicional, com a aplicação de
inseticidas domissanitários registrados, envolvendo
barreira química perimetral (vertical),barreira química
horizontal, imunização de madeiramentos (preferencialmente
anterior ao acabamento com tintas ou vernizes) em contato direto
com a alvenaria (batentes, guarnições, rodapés,
madeiramentos do telhado, forro, armários embutidos,
etc.) e insuflação de pó inseticida em
conduítes e eletrodutos.
“Nas infestações
por cupins de madeira seca, onde a presença
de pó granulado é evidente na peça atacada,
a infiltração ou a injeção de produtos
pré-formulados ou de uso profissional são normalmente
satisfatórias”, explica Zorzenon.
No caso de controle
da praga, o pesquisador do Instituto Biológico
lembra que outro método mais recente e tecnicamente
superior ao químico, além de ser ecologicamente
correto, é o Sentricon. Este sistema, que envolve
treinamento apurado das empresas credenciadas pela Dow AgroSciences
(empresa desenvolvedora do Sistema Sentricon), é um
método a base de iscas.
“Elas são
dispostas (interior e exterior) junto ao imóvel infestado,
onde serão levadas pelos cupins exterminando a colônia
onde quer que ela se encontre. É ideal no caso de edifícios,
onde existem caixões perdidos, em hospitais, escolas
ou locais onde o risco ambiental ou à saúde são
evidentes”, afirma Francisco Zornenon.
Qualquer um dos métodos
escolhidos envolve técnica, conhecimento sobre a biologia
e hábitos da espécie de cupim infestante ou que
se queira prevenir, devendo impreterivelmente ser realizado
por empresa especializada e supervisionado por técnico
de nível superior treinado. (EF)
Fonte: Revista CREA.SP(18)
- (www.creasp.org.br)
Jornalista: Eduardo Fiora
|