Cupim de Madeira
- Cupim de Solo
Matéria
extraída do:
Centro de Ciências Florestais e da Madeira -
Campus III da UFPR
Rua Lothário Meissner - n° 3.400 - Jardim
Botânico
CEP 80210-170 - Curitiba - Paraná - Brasil
Os cupins ocorrem
nas áreas tropicais e temperadas do mundo, entre
os paralelos 52o N e 45o S. Reúnem-se todos na
Ordem Isoptera, com mais de 2000 espécies de cupins descritas.
Excluídos os fósseis, estão representados
nas Américas por 84 gêneros em 5 famílias,
com 514 espécies de cupins.
No Brasil são registradas cerca de 200 espécies,
número subestimado visto que existem que ainda
não foram detectadas e muitas outras que devem
ser descritas. As famílias mais importantes são
KALOTERMITIDAE, RHINOTERMITIDAE, SERRITERMITIDAE, TERMITIDAE,
TERMOPSIDAE.
As espécies
conhecidas de cupins estão
incluídas em 6 famílias, sendo 1 fóssil.
Classificação
• Família Mastotermitidae: É a
mais primitiva, com uma só espécie viva,
Mastotermes darwiniensis Froggatt, que ocorre na Austrália.
• Família Kalotermitidae: Constituída
por espécies que vivem em madeira seca, formando
pequenas colônias, sem operárias, sendo
o trabalho feito pelas formas jovens. Os soldados têm
cabeça comprida e mandíbulas denteadas.
Os gêneros mais comuns que ocorrem nos estados
de Minas Gerais e São Paulo são: Cryptotermes,
Neotermes e Rugitermes
• Família Hodotermitidae: Junto
com Kalotermitidae é relativamente primitiva em
estrutura, porém apresenta hábitos especializados
de vida, com as seguintes subfamílias: Cretatermitinae
(fóssil), Hodotermitinae, Porotermitinae, Stolotermitinae
e Termopsinae. Ocorre na África, Austrália,
Europa, Nova Zelândia, América do Norte
e América do Sul (apenas no Chile).
• Família Rhinotermitidae: Junto
com Serritermitidae é considerada primitiva por
ocupar posição intermediária entre
as famílias anteriores e a família Termitidae,
com as seguintes subfamílias: Coptotermitinae,
Heterotermitinae, Psamotermitinae, Rhinotermitinae, Stylotermitinae
e Termitogetoninae. Ocorrência cosmopolita.
• Família Serritermitidae: Com
uma só espécie, Serritermes serrifer (Bates),
que ocorre no Brasil.
• Família Termitidae: É considerada
a mais evoluída e inclui cerca de 75% das espécies
conhecidas, com as seguintes subfamílias: Amitermitinae,
Macrotermitinae, Nasutitermitinae e Termitinae. ocorrência
cosmopolita.
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Cupim
de Madeira - Cupim de Solo |
Cupim
de Madeira - Cupim de Solo |
Cupim de Madeira
Cupim de Solo
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Observação -
As espécies das cinco primeiras famílias são
denominadas cupins primitivos ou inferiores,
as espécies da família Tremitidae são
chamadas de cupins superiores.
No Brasil são encontradas as famílias Kalotermitidae,
Rhinotermitidae, Serritermitidae e Termitidae.
Biologia
Características
Biológicas
Os cupins são insetos sociais polimórficos
que constróem seus ninhos, chamados cupinzeiros ou termiteiros,
para proteção da colônia, armazenamento
de alimento e a manutenção de condições ótimas
para o desenvolvimento dos indivíduos.
Todas as espécies de cupins vivem em
colônias mais ou menos populosas (permanentes). As colônias
são formadas por castas de indivíduos ápteros
e alados. Além das formas jovens, existem duas categorias
de formas adultas. A primeira é formada pelos reprodutores
alados, machos e fêmeas, que abandonam o cupinzeiro para
fundar novas colônias. A segunda categoria é composta
por formas ápteras, de ambos os sexos, mas estéreis,
são os operários e os soldados. São insetos
mastigadores que se desenvolvem por paurometabolia. Os ovos
são colocados soltos e as ninfas recém-eclodidas
são muito semelhantes nesse primeiro ínstar.
A partir do segundo ínstar no entanto elas diferem em
dois tipos principais: ninfas de cabeça pequena, que
darão origem aos indivíduos da casta reprodutora,
e ninfas de cabeça grande, que darão origem aos
indivíduos estéreis das castas das operárias
e soldados. As operárias são de coloração
branca ou amarelo pálida, geralmente desprovidas de
olhos compostos e de ocelos. Constituem a maior parte da população
do cupinzeiro e desempenham todas as funções
da colônia, exceto a da procriação. Os
soldados, usualmente cegos, são semelhantes às
operárias das quais diferem por terem a cabeça
mais volumosa, de coloração marrom amarelada,
e as mandíbulas mais desenvolvidas, embora não
sirvam para mastigação. A função
dos soldados é a defesa da colônia, colaborando
também no trabalho das operárias. Em espécies
primitivas encontram-se apenas as formas sexuadas e os soldados,
sendo que as ninfas funcionam como operárias.
Características
da Anatomia Externa dos Cupins
Cabeça -
livre, de forma e tamanho variáveis. Olhos compostos
nas formas aladas (com dois ocelos), e atrofiados nas formas áptera.
Antenas simples, monoliformes, contendo de 9 a 32 antenômeros,
inseridas nos lados da cabeça, acima das bases das mandíbulas.
Aparelho bucal mastigador, mandíbulas bem desenvolvidas
(principalmente nos soldados).
Tórax - um pouco achatado, pronoto
com ou sem projeção anterior em forma de
sela, protórax distinto e livre, mesotórax
e metatórax unidos. Pernas ambulatóriais,
tarsos pequenos de 4 artículos. Dois pares de asas
menbranosas, com nervações simples, nos indivíduos
alados. Quando em repouso as asas ficam sobre o abdômen.
Abdômen - volumoso, aderente ao
tórax, com 10 segmentos, 1 par de cercos no último
segmento e 1 par de estilhetes subanais no 9o segmento,
geralmente presente em todas as formas, exceto nas formas
aladas.
Fundação
das Colônias
A fundação
de novas colônias inicia-se, de modo geral, com os reprodutores
alados que em revoada deixam a colônia-mãe, em
igual número de machos e fêmeas (permanecem no
termiteiro por até 3 meses antes da revoada). Na época
da revoada os alados tornam-se fototropicos positivos e começam
a abandonar o termiteiro por aberturas laterais feitas pelas
operárias. A época de revoada varia de acordo
com a espécie e com a região onde situa-se a
colônia-mãe. Geralmente ocorrem no crepúsculo
de dias claros ou em dias chuvosos, nos meses de agosto a outubro.
O alcance do vôo e pequeno, algumas dezenas de metros,
porém maiores distâncias podem ser alcançadas
com o auxílio do vento. O primeiro evento, após
a aterrissagem dos alados, é a perda das asas, que se
quebram ao longo de uma linha basal de menor resistência.
A revoada de cupins difere de abelhas e formigas,
pois os cupins alados, ao saírem do ninho, ainda são
sexualmente imaturos. A primeira cópula só ocorre
após os cupins terem perdido as asas e se estabelecido
num local.
Depois de perderem as asas os cupins tornam-se fototrópicos
negativos e extremamente tigmotópicos, isto é,
necessitam estar em contato com madeira ou o solo. Após
esta fase, cada fêmea, com seu macho, formam o casal
real, iniciando em seguida a escavação de uma
galeria, que termina numa cavidade mais ampla, chamada câmara
nupcial, onde após alguns dias ocorre a primeira cópula
e a fêmea coloca os primeiros ovos. Cerca de um mês
depois, aparecem as primeiras formas jovens, que serão
criadas pelo casal real. Quando estas formas jovens começarem
a se locomover, o casal real passa a ter apenas a função
de procriar e o macho fecunda a fêmea periodicamente;
o casal real permanece na câmara nupcial que é alargada
pelas operárias para acomodar o corpo da fêmea,
cujo abdômen pode atingir até 2.000 vezes o volume
do resto do corpo (este fenômeno e conhecido como fisogastria).
A capacidade de postura da rainha é variável
com a espécie e a idade da rainha. A taxa de oviposição
pode variar de 12 ovos/dia nas espécies mais primitivas
a 30.000 nas espécies mais evoluídas. Quanto
ao número de indivíduos na colônia, também
depende da espécie, cerca de 1.000 indivíduos
nas espécies primitivas, podendo chegar a milhões
nas espécies mais evoluídas (como as da família
Termitidae).
Alimentação
Alimentam-se de uma grande
variedade de produtos de origem animal, como couro, lã,
excrementos, e de materiais de origem vegetal como madeira
(viva ou morta), raízes de plantas, humos, etc. A digestão
da madeira fornece aos cupins as proteínas
e os sais minerais necessários, enquanto que a celulose
fornece a energia para o seu metabolismo. Como as espécies
não são capazes de digerir a celulose, a digestão é feita
por microorganismos simbiontes como protozoários (nas
espécies inferiores), bactérias e/ou fungos (nas
espécies superiores), existentes no intestino posterior.
As espécies mais primitivas alimentam-se diretamente
da madeira onde nidificam, enquanto que as espécies
morfologicamente mais desenvolvidas nidificam no solo, e coletam
para sua alimentação madeira morta, gramíneas
e outras fontes difusas de celulose. Existem algumas espécies
de cupins que cultivam fungos utilizando-os
para sua alimentação, seu cultivo acontece em
pelotas fecais que formam os jardins de fungos, que posteriormente
são degradados, no interior do intestino dos cupins,
pelo fungo simbionte do gênero Termitomyces.
Tipos de alimentos - Madeira, ervas, gramíneas, serapilheira,
húmus, fungos, raízes superficiais e canibalismo
e oofagia.
Observação -
No início da colônia, o rei e a rainha consomem
uma grande quantidade de ovos. As operárias podem controlar
a proporção entre as várias castas, através
do canibalismo seletivo. As operárias também
consomem indivíduos doentes e feridos, podendo ainda
armazenar grande número de cupins mortos em galerias
externas ao cupinzeiro, provavelmente com
o propósito de alimentação.
Diferenças
entre Cupins e Formigas
Os cupins frequentemente são chamados
de formigas brancas, uma denominação incorreta,
pois ocorrem as seguintes
diferenças
entre eles e as formigas:
| CUPINS |
FORMIGAS |
| Ordem - Isoptera |
Ordem - Hymenoptera |
| Desenvolvimento por paurometabolia
(ovo-nifas-adulto) |
Desenvolvimento por holometabolia
(ovo-larva-pupa-adulto) |
| Corpo mole geralmente de
cor clara |
Corpo duro geralmente de
cor escura |
| Asas anteriores e posteriores
de tamanho e nervação semelhantes |
Asas anteriores maiores que
as asas posteriores |
| Abdome séssil, totalmente
ligado ao tórax |
Abdome peciolado |
| Antenas monoliformes ou filiformes |
Antenas geniculadas |
| Sem ferrão |
Com ferrão no final
do abdome |
| Machos na casta reprodutora
permanente |
Machos só aparecem
na casta reprodutora temporária |
| Acasalamento após
o vôo e é periódico |
Acasalamento no Vôo |
| Operárias e soldados
compreendem indivíduos estéreis dos dois
sexos |
Operários e soldados
são fêmeas estéreis |
cupim
de madeira - cupim de solo |
cupim
de madeira - cupim de solo |
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Embora os cupins possam ser considerados
benéficos, por atuarem na decomposição
da matéria orgânica, colaborando assim na
ciclagem dos minerais, eles se destacam como organismos
mais daninhos às culturas florestais.
Em florestas naturais, as árvores geralmente são
tolerantes ao ataque de cupins, mas
as florestas plantadas são atacadas, do plantio à colheita,
por muitas espécies de cupins que
causam danos consideráveis, pois para a implantação
dos maciços florestais é necessária
a retirada da vegetação, é com a
eliminação da cobertura vegetal da camada
superior do solo (serapilheira), os cupins que
alimentam-se de madeira tem como única fonte de
alimento as árvores do plantio.
Os danos em florestas plantadas podem ser muito variáveis.
Os eucaliptos por exemplo podem ser afetados desde as
mudas plantadas no campo, até árvores adultas.
Vários autores citam que não há nada
na literatura disponível ou em registros não
publicados, fatos que sugiram que os cupins constituam
uma séria praga florestal, exceto nos plantios
de Eucalyptus spp, ou nos viveiros florestais. Embora
os cupins estejam frequentemente associados a danos econômicos
em uma floresta, apenas 10% das espécies descritas
no mundo podem ser consideradas pragas.
Os cupins,
pragas de culturas implantadas podem ser divididos
em dois grupos:
• Cupins que atacam mudas, desde o plantio
até a idade de um ano conhecidos como cupins
das mudas, cupins das raízes ou cupins do
colo.
São a principal praga que afeta o desenvolvimento
inicial do eucalipto, destruindo o sistema radicular
ou anelando a muda na região do colo. Quando
as condições são favoráveis
(solo com umidade satisfatória), as mudas
podem resistir ao ataque (desde que não ocorra
o anelamento da muda), originado calos que darão
origem a um novo sistema radicular, acima do que
foi destruído, porém, do ponto de visita
econômico estas mudas não vão
gerar árvores satisfatórias, pois o
seu sistema radicular será superficial, originando árvores
dominadas. O período de maior suscetibilidade
das mudas de E. grandis ao ataque de cupins é de
34 a 76 dias após o plantio no campo, podendo
ocorrer 18% de falhas no plantio. O ataque primário
de cupins a mudas de Eucalyptus
ocorre na raiz apical que é descorticada,
o ataque secundário ocorre em raízes
de mudas mortas por outros agentes, que ainda permanecem
no local do plantio. As plantas atacadas apresentam
flacidez e curvamento das folhas terminais, neste
estágio não há mais possibilidade
de recuperação da planta é a
muda pode ser facilmente arrancada do solo. A maioria
dos cupins que atacam Eucalyptus não fazem
montículos, portanto a ausência de montículos
em uma floresta não quer dizer que ela esta
livre do ataque de cupins.
Os danos causados por cupins em
Eucalyptus spp. no Brasil, são causados por
espécies das famílias Kalotermitidae,
Rhinotermitidae e Termitidae.
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• Cupins
que atacam árvores formadas (com mais de 2 anos),
destruindo o interior da árvore, chamados de cupins
de cerne
O cupim do cerne penetra pelas raízes
das árvores e constrói galerias pelo interior
do tronco, destruindo o cerne e deixando as árvores
ocas. Foi constado que quanto maior o diâmetro das árvores
de Eucalyptus spp., maior frequência de árvores
atacadas, ataque que varia de 26,3 a 41,3% para árvores
com mais de 20 cm de diâmetro. Além disso, como
o ataque inicia-se pelas raízes, a brotação
dos tocos fica comprometida. algumas espécies podem
atacar externamente a casca dos troncos, causando até anelamento
de árvores. Por apresentarem danos internos, dificilmente
são detectados, normalmente isto só ocorre quando
durante a exploração dos plantios. Detectado
o dano devem ser tomadas medidas que visem o controle dos insetos
durante a reforma dos plantios. Deve ser lembrado que plantas
estressadas são mais suscetíveis ao ataque de cupins,
portanto o manejo adequado dos povoamentos aliados a tratos
silviculturais (desbastes seletivos, adubação,
seleção de espécies, prevenção
de incêndios, etc), são medidas imprescindível
para minimizar o ataque destes insetos.
Principais espécies
que causam danos em florestas
Embora várias espécies estejam presentes e causando
danos a várias espécies florestais, são
consideradas relevantes apenas as que causam danos a plantios
comerciais.
• Família Kalotermitidae: Nesta
família as espécies Cryptotermes havilandi, Neotermes
castaneus e Neotermes wagneri, foram constatadas em plantas
como abacateiro, goiabeira, mangueira, tamarindeiro e cacaueiro.
• Família Rhinotermitidae: Nesta
família as espécies Coptotermes havilandi e Coptotermes
testaceus, foram detectadas atacando árvores como a
seringueira e abacateiro. Porém a espécie Heterotermes
tenuis, é de importância por ter sido observada
atacando árvores vivas de Eucalyptus spp., sendo detectada
nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato
Grosso do sul, Pará e São Paulo.
• Família Termitidae: Amitermes sp - Ataca
raízes de Eucaliptos. Anoplotermes - Ataca mudas de
Eucaliptos (ocorre no Pará, Paraná, Rio de Janeiro
e São Paulo). Armitermes euamignatus - Ataca mudas de
Eucalyptus spp. (ocorre no estado de São Paulo).Cornitermes
cumulans - Ataca raízes de Eucalyptus spp. (ocorre em
Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Sul, Santa Catarina e São Paulo). Procornitermes araujoi
- Ataca raízes de Eucalyptus spp. (ocorre em Minas Gerais
e São Paulo). Procornitermes striatus - Ataca mudas
de Eucalyptus spp. (ocorre em Minas Gerais e Rio Grande do
sul).Procornitermes triacifer - Ataca mudas de Eucalyptus spp.
(ocorre no estado de São Paulo).Syntermes insidians
- Ataca raízes de Eucalyptus spp. em plantios novos
(São Paulo). Syntermes molestus - Ataca mudas de Eucalyptus
spp. (Bahia, Góias, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato
Grosso do sul, Pará, Pernambuco, Roraima).Neocapritermes
opacus - Ataca raízes de Eucalyptus spp. (ocorre em
quase todo o Brasil).
Observação - O gênero Nasutitemes constrói
ninhos arbóreos em áreas cultivadas, savanas,
campos e florestas. É conhecido por cupim cabeça
de negro. Ocorrem em plantios de Eucalyptus spp. a partir dos
9 meses de idade, porém não causam danos as árvores.
Controle de cupins em silvicultura
• Viveiros florestais: Em viveiros florestais
recomenda-se endossulfan (35%), na base de 350 g/l, usando-se
5-6 l/ha, o que garante uma proteção de até 7
meses. Em viveiros que utilizam mesas, com mudas em tubetes,
o problema dos cupins deixou de existir.
• Mudas novas no campo: O mesmo tratamento
recomendado para viveiros tradicionais, isto é, endossulfan
(35%) nas linhas das covas de plantio.
Mergulhar o sistema radicular das mudas, antes do plantio no
campo, numa emulsão de endossulfan (35%), na base de
4 ml/planta ou 20 ml/litro, num tanque de 100 l de água.
As mudas também podem ser pulverizadas antes do plantio,
com cloropirifós ou com um piretróide. As mudas
devem ser observado durante 3 a 4 dias se estes produtos não
vão causar fitotoxicidade.
Outra opção seria agregar um carbamato granulado
de liberação controlada ao sistema radicular
das mudas, antes do plantio, porém este produto não
está mais disponível no mercado brasileiro.
• Ataque a troncos: Quando o ataque ocorre
numa árvore isolada, deve-se proceder a uma limpeza,
removendo a madeira morta da árvore e do solo. Em casos
de infestação em várias árvores
através de galerias escavadas no solo, devem ser controlados
com inseticidas fosforados ou piretróides, introduzidos
no tronco por meio de um orifício feito com uma pua.
• Cupins de montículo: Devem ser
utilizados inseticidas concentrados emulsionáveis, em
mistura com água, perfurando-se o cupinzeiro verticalmente,
até atingir a câmara central cartonada (núcleo)
e introduz-se a emulsão inseticida. Podem ser utilizados
Cloropirifós, fention. Outro método consiste
na colocação de pastilhas de fosfina, introduzindo-se
8-10 pastilhas pequenas ou 2 grandes, por cupinzeiro. Para cupins subterrâneos
ainda não existem produtos que substituam os clorados,
atualmente de uso proibido, que eram recomendados na base de
2-3 g/metro, aplicados no sulco de plantio, isoladamente ou
em mistura com adubos. O endossulfam, embora inferior aos produtos
clorados, pode ser utilizado com boa eficiência por alguns
meses.
Controle de cupins em áreas agro-florestais
Em termos genéricos, para áreas agro-florestais,
o combate ao cupim de monte pode ser resumido
como segue:
• Aração e gradagem: A
preparação anual das áreas para o cultivo
agrícola, impedem o surgimento de montículos,
que surgem apenas nas áreas onde as máquinas
não conseguem chegar.
• Arrancamento do monte ou sua quebra: Atividade árdua,
que apresenta poucos resultados, pois o tombamento e a divisão
dos ninhos não impede a reorganização
da colônia, e muitas vezes pode aumentar a infestação,
pois dependendo da espécie a fragmentação
pode originar novos ninhos
• Uso de tratores: Processo muito caro,
só tem eficiência quando os montes são
arrancados e fragmentados.
• Agrotóxicos: Vários produtos
podem ser utilizados, entre eles: Cloropirifós; endossulfan;
abamectina, etc. O cupinzeiro deve ser perfurado
com uma varão de aço, para aplicação
do produto. O canal para aplicação do produto
não deve ser fechado, se o inseticida não tiver
a eficiência desejada, os cupins irão fechar o
canal.
• Fungos: Podem ser utilizados a Beauveria
bassiana e Metarhizium anisopliae, o primeiro no inverno é o
segundo no verão.
• Bactérias: Foi constatada a
patogenicidade de Bacillus thuringiensis em algumas espécies
de cupins, porém sua utilização
no campo é restrita devido a baixa sobrevivência
no solo.
• Vírus: A patogenicidade de alguns
grupos de vírus já foi verificada para cupins,
porém o seu potencial de utilização ainda
não foi avaliado.
• Extratos vegetais: Existem varias citações
sobre o uso de extratos vegetais obtidos de madeiras, no controle
ou na prevenção dos danos causados por cupins,
porém sem uma avaliação científica.
• Predadores: Vários pássaros,
aves domésticas, répteis, anfíbios e mamíferos.
Dentre os predadores invertebrados estão as aranhas,
vespas, besouros, é principalmente as formigas, que
são responsáveis por quase 100% de mortalidade
dos alados. Entretanto, esses predadores são considerados
oportunistas, pois a ocorrência dos alados é sazonal
e de curta duração.
As demais castas são predadas principalmente por formigas, é muitas
vezes por tamanduás e tatus.
• Cupins subterrâneos (Família
Rhinotermitidae, espécies mais frequentes Heterotermes
tenuis e H. longiceps), cujas colônias se distribuem
em galerias difusas no solo, sob rochas, no interior de raízes,
troncos e, quando eventualmente deslocam-se em locais expostos,
constróem túneis com detritos vegetais, solo
e fezes. Alimentam-se de material lenhoso em várias
fases de decomposição, sendo comum atingirem
partes vitais das plantas, como toletes de cana recém
plantados, sistema radicular e entrenós basais de cana
em formação, adulta ou soqueiras.
Cupins em Madeira
Os cupins normalmente
atacam a madeira pelo caminho mais fácil, deteriorando
em primeiro lugar o lenho mais mole da madeira. Depois, quando
o lenho mais mole se torna escasso, os cupins deterioram também
o mais duro. Esta característica serve para diferenciar
o ataque de formigas cortadeiras, as quais não tem preferência
sobre o tipo de madeira. Existem cupins de madeira seca, cupins
de madeira úmida e cupins subterrâneos.
Cupins de madeira
seca
São encontrados
em regiões de clima quente e nas áreas subtropicais.
Habitam inteiramente a madeira seca (10 a 12% de umidade),
não exigindo contato com o solo, iniciando o ataque
durante a enxameação das formas aladas, cada
par sexuado penetra na madeira através de rachaduras
ou de outras aberturas naturais iniciando a escavação
para o interior, fechando imediatamente a entrada com partículas
da própria madeira.
Os cupins deste grupo se instalam e constituem
suas colônias dentro de peças de madeira com baixo
teor de umidade. São muito comuns em componentes de
telhados, batentes, esquadrias, topos de postes, móveis,
pisos, janelas, portas e diversas outras peças de madeira.
algumas vezes, o ataque por estes insetos é confundido
com ataque por brocas (coleópteros). Embora não
tenham colônias muito numerosas, um ataque pode causar
sérios prejuízos, uma vez que o mesmo, em geral,
sé é detectado quando as partes internas de uma
peça estão em adiantado estado de destruição.
Eles constróem inúmeras galerias dentro da madeira,
por onde circulam livremente, e produzem pequenos grânulos
ovalados (fezes), que são acumulados em uma câmara
(cavidade) próxima à superfície da madeira
e que, de tempos em tempos, são descarregados para fora
da peça atacada, como forma de limpeza das galerias.
Em geral o ataque por esse tipo de inseto é detectado
pela presença desses grânulos no ambiente.
É conveniente lembrar que o cupim de madeira seca, é uma
praga associada às estruturas de madeira montada ou
produtos acabados. Raramente estes insetos atacam madeiras
em serrarias ou nos processos de extração, pois
nesses locais a madeira não permanece tempo suficiente,
salvo quando ficar estocada por longos períodos, possibilitando
a instalação e desenvolvimento de uma colônia,
o que é uma tarefa demorada.
Cupins de madeira úmida
Este grupo de cupins ataca
exclusivamente madeira com elevado teor de umidade. O ataque
ocorre diretamente pelo ar no momento da revoada das formas
aladas, e normalmente, não tem contato com o solo. Confinam
suas atividades em madeiras em condições abafadas,
ordinariamente já apodrecidas, podendo estender suas
galerias nas partes de madeiras adjacentes em bom estado de
sanidade. No Brasil ainda não existem casos de infestação
em construções causada por este grupo de térmitas.
Cupins subterrâneos
Este grupo de cupins, ocorre naturalmente
entre as latitudes 50o n e 50o S, no entanto podem ser proliferados
pela ação do homem que transporta madeiras, para
todas as partes do mundo. Para que a proliferação
ocorra, além dos vetores que os levam para fora de sua área
natural, eles precisam ter: fonte de alimento celulósico;
umidade adequada; temperatura adequada; características
adequadas de solo.
Este tipo de cupim é mais frequente
em solos úmidos e arenosos, em regiões quentes
contendo alguma forma de alimento abundante. Normalmente ocorrem
embaixo de assoalhos com espaços para ventilação
deficiente, o que condiciona condições ideais
e resíduos de madeira deixados pelo chão. Sua
detecção é feita pela presença
de pelotes de excrementos, galerias na madeira que não
obedecem ao sentido das fibras e dutos que ligam a madeira
ao solo.
Controle
• Cupins de madeira seca: Quando o ataque é ameno,
as peças de madeira atacada devem ser substituídas
por peças não atacadas e tratadas, quando o ataque
e severo, é recomendável a fumigação
com brometo de metila. Quando são utilizadas madeiras
com baixa resistência ao ataque (ex. Eucaliptos e Pinus)
de cupins, é recomendável a aplicação
de preservantes antes da utilização ou beneficiamento
da madeira, podem ser utilizados inúmeros produtos,
como por exemplo, o pentaclorofenol.
• Cupins de madeira úmida: Por
não se constituírem em insetos que causam prejuízos
econômicos, a literatura especializada não recomenda
nenhum método preservativo para este tipo de cupim.
Porém uma medida que poderia ser adotada seria a retirada
dos troncos que oferecem condições para a instalação
das colônias.
• Cupins subterrâneos: Por serem
subterrâneos, o controle para ser viável, deve
ser realizado no solo, através da localização
da colônia e aplicação de um produto tóxico.
Além disso, é aconselhável a substituição
das peças de madeira atacadas por peças não
atacadas e tratadas.
Deve ser lembrado que o mais efetivo do que o controle químico, é a
prevenção contra o ataque destes insetos que
deve ser feito da seguinte forma: limpeza de todo material
celulósico do local da construção; drenagem
do terreno; Tratamento químico do solo, onde será feita
a edificação; utilização de técnicas
de construção adequadas.
Cupins em Áreas
Urbanas
Em áreas urbanas,
os cupins subterrâneos impressionam
por sua versatilidade. Em edifícios altos observou-se
que a colônia instalada nos andares mais altos não
necessita de contato com o solo, uma vez provida de condições
adequadas de abrigo e umidade. São vistos também
túneis de cupins construídos
embaixo ou em meio ao reboco, em paredes de alvenaria, sendo
comum os cupins esburacarem tijolos maciços
de barro, nas paredes atacadas. Isto deve-se ao fato de que
as edificações urbanas são uma grande
fonte de abrigo e alimento para cupins. Normalmente
dentro das paredes são colocados muitos componentes
de madeira, normalmente sem tratamento preventivo e em contato
com o solo, além disso em toda edificação
existem enormes aterros onde toda a madeira que sobra da construção
e enterrada, facilitando o ataque e proliferação
dos cupins, que consequentemente acabam adentrando pelas paredes
dos edifícios. Outra porta de entrada dos cupins em
meios urbanos é feita através da arborização
urbana, pois as árvores que são destinadas a
este fim, além de estarem em um ambiente inadequado
são plantadas e manejadas de forma totalmente errada, é consequentemente
ficam estressadas, possibilitando o ataque dos cupins, que
invariavelmente passam para o interior das edificações
Controle de cupins urbanos
Basicamente o controle
de cupins urbanos, deve ser feito utilizando-se
os métodos citados para o controle de cupins
de madeira seca e cupins subterrâneos.
Além disso a arborização urbana, implica
na escolha correta de espécies para cada tipo de ambiente
urbano, de mudas com porte adequado e no espaçamento
correto (entre árvores e destas com as edificações),
elaboração de covas adequadas para o plantio
e sua posterior manutenção, estaqueamento de
suporte corretamente aplicado, remoção de brotos
e ramos ladrões, e avaliação minuciosa
da necessidade de poda e sua correta execução.
Matéria extraída do site:
Centro de Ciências Florestais e da Madeira - Campus III
da UFPR
Rua Lothário Meissner - n° 3.400 - Jardim Botânico
CEP 80210-170 - Curitiba - Paraná - Brasil - www.floresta.ufpr.br
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